Bilionários Forbes 2026: O Brasil Chegou ao Clube - Resenha crítica - 12min Originals
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Bilionários Forbes 2026: O Brasil Chegou ao Clube - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Todo ano, em março, a Forbes publica uma lista que o mundo para para ler. Não porque ela seja justa, nem porque seja completa. Mas porque ela é um raio-x de quem está ganhando o jogo econômico do planeta. Em 2026, esse raio-x revelou algo que nunca tinha acontecido antes: o Brasil chegou ao clube com força total.

Setenta e um brasileiros figuram na lista deste ano, contra 55 em 2025. São 16 novas entradas em doze meses. O patrimônio acumulado por esse grupo saltou para 291,9 bilhões de dólares, um aumento de quase 39 bilhões de dólares em relação ao ano anterior. Para colocar isso em perspectiva: esse valor é maior do que o PIB anual de países como Portugal ou República Tcheca.

E no topo do mundo? Elon Musk, com 839 bilhões de dólares, continua sozinho numa estratosfera que nenhum ser humano jamais habitou. Ele está tão distante do segundo colocado que parece estar em outro jogo. A propósito, o segundo colocado não é quem você imagina.

O Mundo Virou de Cabeça para Baixo

Por anos, o pódio global da Forbes tinha o formato de uma disputa entre Musk, Zuckerberg e Bezos. Em 2026, essa ordem foi reorganizada de forma surpreendente. Larry Page e Sergey Brin, os dois engenheiros que criaram o Google num quarto de faculdade em Stanford em 1998, subiram para o segundo e terceiro lugar do ranking mundial, com 257 bilhões de dólares e 237 bilhões respectivamente.

O que explica essa virada? As ações da Alphabet, controladora do Google, cresceram mais de 86% no último ano. Page e Brin deixaram os cargos executivos há anos, mas continuam como acionistas controladores da empresa. Eles não precisaram fazer nada além de existir para passar Bezos e Zuckerberg.

Jeff Bezos, fundador da Amazon e dono do Washington Post, ficou em quarto com 224 bilhões. Mark Zuckerberg, que chegou a ser segundo colocado, caiu para o quinto com 222 bilhões. Jensen Huang, da Nvidia, que fabrica os chips que alimentam toda a corrida de inteligência artificial, aparece em oitavo com 154 bilhões.

No total, a lista de 2026 reúne 3.428 bilionários, 400 a mais do que em 2025. Em média, um novo bilionário foi criado por dia ao longo dos últimos doze meses. Juntos, eles acumulam 20 trilhões, quatro trilhões a mais do que no ano anterior.

O Brasileiro que Mora em Singapura e Vale Quase R$ 185 bilhões

Eduardo Saverin tem 43 anos, nasceu em São Paulo, cresceu nos Estados Unidos e mora em Singapura desde 2009. Ele é cofundador do Facebook e, pelo terceiro ano consecutivo, o brasileiro mais rico do planeta, com uma fortuna estimada em 35,9 bilhões de dólares. No ranking global, ocupa a 59ª posição.

A história de Saverin é das que parecem ficção. Ainda estudante em Harvard, ele bancou os primeiros servidores do Facebook com 19 mil do próprio bolso, em troca de 30% da empresa. A sociedade com Mark Zuckerberg entrou em crise, ele foi diluído, entrou na Justiça, e o caso virou o filme A Rede Social. O acordo foi sigiloso, mas especialistas estimam que ele ficou com algo entre 4% e 5% da Meta. Hoje, esses poucos pontos percentuais valem dezenas de bilhões.

Em 2012, às vésperas da oferta pública das ações do Facebook, Saverin renunciou à cidadania americana. A jogada foi vista como uma estratégia para evitar impostos sobre o ganho de capital. O governo americano ficou furioso. O Congresso chegou a propor uma lei chamada Ex-PATRIOT Act para taxá-lo mesmo assim. Nada disso avançou. Saverin ficou em Singapura, o dinheiro ficou com ele, e o resto é história.

Além dos dividendos da Meta, ele também é cofundador da B Capital, firma de venture capital com bilhões sob gestão que investe em startups de saúde, tecnologia e sustentabilidade.

O Banqueiro que Triplicou a Fortuna em um Ano

Se tem um número que chama atenção nessa lista, é o de André Esteves. O presidente do conselho do BTG Pactual tinha, em março de 2025, 6,9 bilhões. Em março de 2026, a Forbes estimou seu patrimônio em 20 bilhões. Crescimento de quase 193% em doze meses. Ele subiu 356 posições no ranking mundial e chegou ao 131º lugar.

O que explica esse salto? O BTG Pactual registrou o melhor resultado anual de sua história em 2025. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 16 bilhões, alta de 35% em relação ao ano anterior. O banco se consolidou como o maior banco de investimentos da América Latina e seu retorno sobre o patrimônio atingiu 27%, superando todos os grandes bancos listados na B3.

A trajetória de Esteves não é simples. Ele entrou no banco Goldman Sachs aos 17 anos como estagiário e chegou à gestão do UBS na América Latina. Em 2009, foi preso durante a Operação Satiagraha, investigação de lavagem de dinheiro. Ficou detido por seis dias, foi solto, e os processos foram arquivados anos depois. Voltou ao BTG, comprou o banco de volta de sócios que queriam vendê-lo, e reconstruiu tudo. Em 2026, o resultado dessa reconstrução aparece no ranking da Forbes.

Também estreou na lista Roberto Sallouti, Presidente do BTG Pactual, com 4 bilhões. A ascensão do banco foi tão expressiva que criou dois bilionários novos de dentro de casa.

A Família que Faz Cerveja e Controla Hamburguerias

Jorge Paulo Lemann tem 86 anos e ainda aparece em terceiro entre os brasileiros, com 19 bilhões. Ele é cofundador da 3G Capital, a firma de investimentos que comprou, reformulou e vendeu empresas que estão na vida cotidiana de bilhões de pessoas.

A lista inclui Burger King, Kraft Heinz e a AB InBev, que é a maior cervejaria do mundo. Budweiser, Brahma, Skol, Corona e mais 500 marcas de cerveja pertencem ao mesmo grupo controlado em parte pela 3G Capital. A lógica de Lemann sempre foi a mesma: comprar uma empresa grande, cortar custos com brutalidade, instalar metas agressivas e repetir. É um método que funciona, gera resultados financeiros expressivos e também gera críticas pelo impacto nas pessoas que trabalham nessas empresas.

Junto com Lemann na 3G aparecem seus sócios históricos Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, ambos na lista, com fortunas de 5 bilhões e 2 bilhões respectivamente.

A Família Safra e o Problema da Nacionalidade

Vicky Safra, viúva do banqueiro Joseph Safra, tem 27 bilhões e seria, tecnicamente, a segunda pessoa mais rica de origem brasileira no ranking. O problema é que a Forbes a classifica como grega, por ela ter nascido na Grécia. Ela é naturalizada brasileira, vive no Brasil, e o Banco Safra é uma instituição central no sistema financeiro do país. Mas para fins de ranking, ela fica no grupo dos bilionários gregos.

Se incluída entre os brasileiros, seriam 71 nomes no total.

O Banco Safra, fundado por Joseph Safra, é um dos maiores bancos privados do Brasil e tem presença global. Nos últimos anos, a família Safra enfrentou disputas sucessórias e reorganizações internas. Os filhos de Joseph aparecem em posições diversas na lista com fortunas separadas, reflexo da divisão do espólio do patriarca, que morreu em 2020.

Os Marinho e o Império da Informação

A família Marinho, controladora do Grupo Globo, coloca três nomes na lista: José Roberto Marinho, João Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho, com fortunas de 4 bilhões, 4 bilhões e 3 bilhões cada. São os netos de Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo.

O Grupo Globo é o maior conglomerado de mídia da América Latina. TV Globo, Globoplay, Infoglobo, Rádio Globo e dezenas de outras marcas fazem parte do portfólio. A família Marinho raramente aparece em público, mas o peso de suas empresas na formação de opinião e na cultura brasileira é difícil de quantificar.

A Gaúcha de 20 Anos Mais Rica do Mundo

Este é o capítulo mais curioso da lista de 2026. Amelie Voigt tem 20 anos e é a bilionária mais jovem do planeta. Ela detém 2% da WEG, a fabricante de motores elétricos de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, fundada por seu avô Werner Ricardo Voigt em 1961. Sua fortuna é estimada em 1 bilhão.

Amelie estreia junto com seus irmãos Felipe e Pedro Voigt, gêmeos de 23 anos, cada um com 1 bilhão. Suas irmãs mais velhas, Lívia e Dora Voigt, já estavam na lista de 2025. São cinco membros da mesma família, todos bilionários, todos da WEG.

A WEG produz 21 milhões de motores elétricos por ano e exporta para 135 países. É um dos casos mais raros da indústria brasileira: uma empresa de manufatura de alta tecnologia, competitiva globalmente, que cresceu no interior de Santa Catarina sem depender de subsídios do governo federal para se manter viva. O avô fundou com três sócios cujos sobrenomes formaram a sigla: Werner, Eggon e Geraldo.

A Bailarina que Apostou no Futuro

Se a WEG representa o Brasil que constrói motores, Luana Lopes Lara representa o Brasil que programa o futuro.

Aos 29 anos, ela é a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna, sem herança, sem família rica, sem nada além de talento, disciplina e uma ideia incomum. Sua fortuna é estimada em 1 bilhão.

Luana nasceu em Belo Horizonte, estudou na Escola do Teatro Bolshoi em Joinville, atuou como bailarina profissional na Áustria durante nove meses, voltou ao Brasil, foi aprovada em Harvard, Yale, Stanford e Em MAi tee, e escolheu o Massachusetts Institute of Technology. Lá, além de se formar em Ciência da Computação e Matemática, conheceu Tarek Mansour. Em 2018, ainda na faculdade, os dois fundaram a Kalshi.

A Kalshi é uma plataforma regulada de mercados preditivos. Funciona como uma bolsa, mas em vez de ações de empresas, os usuários compram contratos sobre eventos futuros: vai chover mais do que a média? O Fed vai subir os juros? Qual candidato vai ganhar a eleição? Cada contrato paga um dólar se o evento acontecer. No pregão americano de 2024, investidores da Kalshi negociaram mais de 500 milhões em contratos sobre o resultado da eleição presidencial americana, prevendo a vitória de Donald Trump sobre Kamala Harris. Hoje, mais de 90% do volume da plataforma vem de contratos esportivos.

A Kalshi foi avaliada em 11 bilhões após uma rodada de 1 bilhão liderada por Paradigm, Sequoia Capital e Andreessen Horowitz. Luana detém cerca de 12% da empresa.

Mas nem tudo é festa. A empresa enfrenta processos em estados americanos como Nevada, Massachusetts e Nova York, que alegam que ela opera apostas ilegais sem as licenças locais necessárias. A disputa regulatória ainda não tem desfecho.

O Bispo e o Empresário de Sandálias

Dois nomes da lista chamam atenção por representarem setores pouco convencionais na galeria de bilionários.

Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, aparece com 2 bilhões. A Universal tem presença em mais de 100 países, templos em todas as grandes cidades brasileiras e a RecordTV, segunda maior rede de televisão do país. Macedo já foi alvo de investigações por décadas, foi preso em 1992 por "charlatanismo e curandeirismo", ficou 12 dias detido e foi solto. As acusações nunca resultaram em condenação transitada em julgado. Macedo mora em Portugal e nega ter fortuna pessoal, afirmando que os bens são da Igreja. A Forbes discorda.

Alexandre Grendene Bartelle, herdeiro da Grendene, fabricante das sandálias Melissa e Rider, aparece com 2,5 bilhões. A Grendene, fundada em 1971 no Rio Grande do Sul, transformou um produto simples como a sandália de plástico em negócio global, exportando para mais de 100 países. As Melissas viraram objeto de coleção e colaboraram com grifes como Vivienne Westwood e Melissa Odabash.

O Que Fazer com Essa Informação

A lista da Forbes não é um ranking de mérito, nem um prêmio de virtude. É uma fotografia de onde o dinheiro foi parar. E essa fotografia de 2026 conta algumas histórias que vão além dos números.

A primeira história é sobre onde o dinheiro brasileiro está concentrado. Das dez maiores fortunas brasileiras, pelo menos seis vêm diretamente do setor financeiro, bancos ou fundos de investimento. Isso não é um acidente. Num país com taxa de juros entre as mais altas do mundo por décadas, quem trabalhou com dinheiro ganhou muito mais do que quem trabalhou com produtos ou serviços. O sistema financeiro brasileiro é extraordinariamente rentável para quem está dentro dele. Para quem está fora, paga juros sobre o crédito que financia essa mesma rentabilidade.

A segunda história é sobre o surgimento de uma nova camada de riqueza ligada à tecnologia. Saverin, Luana Lopes Lara, Guilherme Benchimol da XP, Cristina Junqueira do Nubank: são pessoas que construíram ou se posicionaram em empresas digitais. Esse movimento ainda é pequeno em termos relativos, mas cresceu muito nos últimos cinco anos.

A terceira história é sobre o que esses bilionários fazem com o dinheiro. Alguns reinvestem nas próprias empresas. Outros criam fundações e estruturas de filantropia. Alguns transferem patrimônio para outros países, como Saverin. Outros ficam no Brasil e pagam impostos aqui. A diferença importa para a economia do país.

Cenário de curto prazo para quem investe: o desempenho do BTG Pactual no último ano mostra que o setor financeiro brasileiro ainda oferece retornos excepcionais para quem tem exposição a ele. Ações do BTG valorizaram substancialmente em 2025. Isso não garante repetição, mas sugere que a estrutura de rentabilidade do banco ainda está intacta.

Para quem acompanha tendências: a Kalshi é um caso de estudo sobre o que acontece quando um mercado regulado de previsões se torna mainstream. Essa lógica de monetizar probabilidades de eventos futuros pode se expandir para outros setores. Empresas com modelo similar já estão surgindo em outros países.

Para quem tem visão de longo prazo: a WEG é talvez o ativo mais silencioso e consistente da indústria brasileira. Numa economia mundial que está se eletrificando, motores elétricos não são commodity. São infraestrutura.

Para Concluir

Há algo revelador na lista da Forbes que vai além dos nomes e dos números. Ela mostra que o Brasil de 2026 tem bilionários nascidos de heranças antigas, de bancos, de igrejas, de fábricas no interior de Santa Catarina e de startups em Nova York. É uma diversidade de origens que não existia com essa amplitude há dez anos.

O que não mudou é a distância entre esse grupo e o restante da população. Os 71 bilionários brasileiros acumulam US$ 291,9 bilhões. O PIB do Brasil é de aproximadamente 2,1 trilhões de dólares. Isso significa que esse grupo equivale a cerca de 14% de toda a riqueza produzida pelo país em um ano, concentrada em 71 pessoas.

A lista da Forbes não resolve essa equação. Mas ela a torna visível, uma vez por ano, em março, quando o mundo para para ler.

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